segunda-feira, 22 de setembro de 2008

OS BENEFÍCIOS DA ESCRITA ESPONTÂNEA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE COMUNICATIVA E AFETIVA

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ-UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS
PRODUÇÃO DE TEXTO

ENSAIO CIENTÍFICO

OS BENEFÍCIOS DA ESCRITA ESPONTÂNEA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE COMUNICATIVA E AFETIVA

Alessandra Zelinda Sousa Bessa
Aluna do 4ºperíodo do curso de Letras-UVA

Escrever tem se tornado um processo metódico, cheio de regras, manuais e métodos que viraram rotina das técnicas sem motivação, faltando inspiração e personalismo. As pessoas precisam ver o ato de escrever não só como uma atividade obrigatória, mas também como um alívio de suas angústias, para proporcionar-lhes prazer.
É aquela história “Não se bebe, ri, proseia, fala alto nas novas redações”. O medo da escrita está dominando os escritores, pois vivemos na “Ditadura da gramática normativa”. A escrita é nada mais do que uma técnica de comunicação. Portanto, tentar escrever de maneira espontânea é essencial para conseguir o objetivo primeiro, que é dar uma opinião, desabafar sentimentos, criar uma história ou fazer um relato.É preciso haver naturalidade pra tornar a escrita prazerosa.
Os indivíduos acham que escrever está somente ligado a intelectualidade e acreditam que só quem escreve são intelectuais letrados. Isso faz parte da cultura que se possui. É necessário entender que escrever faz bem. A poesia nos livra de males, espanta a ociosidade, aguça a nossa curiosidade,ameniza a solidão,tristeza,ansiedade e angustia. Escrever é extremamente benéfico quando realizado sem pressão.
Como diz Paulo Coelho (2008), “Escreve, seja uma carta,um diário ou umas notas,enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia, ou, o que é pior que alguém acabe lendo o que não queira. O simples ato de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia.Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos levam e trazem a esperança perdida.As palavras tem poder”.
A manipulação da escrita pela gramática normativa está gerando trauma nos escreventes, precisamos de escritores e não de meros profissionais letrados, que escrevem sem amor, mais estritamente destinado a profissão. Não queremos escritores alienados, necessitamos de escritores apaixonados.A escola pode oferecer projetos de escrita informal e espontânea, com oficinas em horários fora da sala de aula.
É imprescindível que mudemos o hábito de criticar os erros dos alunos e substituí-los por uma maior motivação para a leitura e escrita espontânea, pois só se aprende escrevendo e lendo, além de ser altamente saudável. Os critérios usados pelos escritores para o exercício da escrita devem ser entendido como algo que desenvolva a sua capacidade comunicativa, e que não seja uma atividade de avaliação, teste de aprendizagem, ou um ato de punitivo. As pessoas são deferentes e isso envolve sua escrita , cada ser escreve de um jeito diferente,tem sua identidade e busca autonomia. Como explica Cavalcante (2001), “A escrita espontânea não se enquadra nos parâmetros do certo e do errado, mas sob o âmbito da consciência e dos valores subjetivos atribuídos ao texto lido. É muito mais um ‘Saber’ por que precisa manifestar algo do que um ‘Saber’ sobre o que o texto disse ou como devo escrever” Daí a flexibilidade da escrita espontânea.
Assim sendo, nossa preocupação fundamental é com o desenvolvimento da prática mais freqüente da escrita espontânea, pois este exercício é saudável, melhora o raciocínio, estimula a paciência, a disposição mental, a memorização, além de formar escritores autênticos, sem artífices, diminuindo o medo da rejeição no ato de escrever. Portanto, a liberdade no ato da escrita torna os produtores capazes de aumentar suas habilidades comunicativas, isolando a idéia de que a escrita metódica é a única capaz de fazer as pessoas escreverem bem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAVALCANTE JR,Francisco Silva. Por uma escola do sujeito :o método (com)texto de letramentos múltiplos. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2001.
COELHO, Paulo. Escrever faz bem. http://www.escreverfazbempaulocoelho/. 2007. Acesso
em 18/09/2008.
MAY, Rollo. A coragem de criar. 15.ed .Rio de Janeiro:Nova Fronteira, .2002.

O Uso dos Modalizadores na Construção da Persuasão em Textos Jornalísticos

UNIVERSIDADE VALE DO ACARAÚ – UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
PRODUÇÃO DE TEXTO

ENSAIO CIENTÍFICO

O Uso dos Modalizadores na Construção da Persuasão
em Textos Jornalísticos

Simone Paiva Feijão
Aluna do 4º período de Letras – UVA

A estrutura dos textos jornalísticos utiliza da construção de persuasão como recurso para atingir o leitor. O locutor, quando se apropria de um determinado discurso, não o faz de forma aleatória, ao contrario, ele busca as possibilidades que lhe parecem mais eficazes para convencer o interlocutor.
Existem duas classes gerais de modalidades: a) a modalidade de frase, ou seja, aquela necessária a constituição de uma frase enquanto enunciado interrogativo, exclamativo e imperativo; b) modalidade lógica, ou seja, aquela que expressa um julgamento do enunciador em relação ao que enuncia. (BUYSSENS, 1972).
Tanto no âmbito da lógica como no campo da Lingüística, em cuja junção dos dois encontram-se os modalizadores. O que caracteriza essencialmente o processo da modalização é o fator subjetivo.
A existência de modalizadores em um texto jornalístico é indispensável com a presença das palavras (com certeza, necessariamente, é preciso, acredito que, etc.), para sinalizar o modo de quem fala ou escreve frente ao que declara. Por exemplo: “Ford Ka. Certamente rápido, muito rápido”. (Superinteressante, julho de 2001). O estilo persuasivo é subjetivo, de ordem afetiva e avaliativa, manifestado pelo uso da palavra ou expressão tonalizadora de estilo e intenção.
Como um procedimento que resulta de exercícios da linguagem, cujo objetivo é formar atitudes, comportamentos, idéias. Desse modo, garantiu-se princípio democrático da circulação social do discurso, persuadir passa a ser uma instância legítima de convencimento, de afirmação de valores e de construção de consensos.
A persuasão é provavelmente a habilidade mais importante par um texto jornalístico. A presença dessa palavra em um texto tanto pode ser usada para realizações nobres, como para enganar as pessoas.
Independentemente do tema dos textos, a persuasão é necessária para engrandecer o discurso do autor. O uso das modalidades no emprego da persuasão não são nem boas nem más, o uso que se faz delas é que podem ser nobre e não tão nobre. O estilo persuasivo se submete às escolhas que o produtor faz no momento da produção do estilo de frase e das oscilações de mensagens, que se organizam para manifestar suas intenções, ou modos de se pronunciar para um público leitor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BUYSSENS, E. 1972. Semiologia e Comunicação Lingüística. Trad. DeIzidoro Blikstein. São Paulo, Cultrix/EDUSP.
Discurso, subjetividade e modalização. Superinteressante, julho de 2001.


domingo, 21 de setembro de 2008

A Influência dos Contos de Fadas sobre o Leitor Infantil

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ-UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS
DISCIPLINA: PRODUÇÃO DE TEXTO

ENSAIO CIENTÍFICO


A Influência dos Contos de Fadas sobre o Leitor Infantil
Márcio Vasconcelos Diogo
Aluno do IV período de Letras-UVA.


O conto de fadas, assim como qualquer outro gênero da literatura infantil, deve ser trabalhado como um instrumento de construção dos primeiros passos da consciência crítica no público infantil. É preciso deixar de lado a concepção de que as narrativas infantis só servem, simplesmente, como leitura de recreação, sentir prazer. Na verdade, os contos podem atuar como viabilizadores do enriquecimento interior, do desenvolvimento intelectual e emocional das crianças, formando adultos maduros e com plena visão crítica de suas realidades.
Entre os diversos estudos que tratam da literatura infantil, observamos aqueles que são contrários ao nosso ponto de vista, quando afirmam que os contos de fadas trariam prejuízos à formação psicológica da criança. Compreendemos que de forma alguma as narrativas maravilhosas poderiam estar associadas a efeitos negativos. As histórias e lendas de fadas são elementos benéficos capazes de atuar satisfatoriamente no imaginário infantil e que devem ser utilizados como instrumento pedagógico.
As linhas de argumentos sustentadas por aqueles que se opõem aos contos é de que muitos aspectos de tais histórias, como a solução de problemas complexos por fenômenos mágicos, a personificação do bem e do mal em determinadas personagens e toda a tensão emocional trariam prejuízos de caráter emocional e ao convívio social das crianças. O que resultaria disso seriam adultos tomados por medos e insegurança.
Este discurso pessimista, no entanto, vê-se encurralado por algo que é próprio da arte, da literatura - onde se encontra a literatura infantil – e que já vem sendo discutido desde a Grécia Antiga: a “catársis’’. Segundo Samuel (1985) apud Coelho (1985, p.18): “O termo catársis é um termo técnico usado pela medicina do tempo de Aristóteles, significando purgação. Também era empregada na linguagem religiosa como sinônimo de expiação ou purificação. Analogicamente se usa em sentido psíquico, como processo pelo qual se purgam as paixões ou tensões da alma. (...) Quando a mimésis está inteiramente desabrochada há catársis, ela é a experiência, operada pela arte, de totalidade, no sentido subjetivo e objetivo.”
Ora, como vemos, os contos estão longe de ser interpretados como elementos nocivos. Pelo contrário, como Aristóteles defendia, põem fora o que é prejudicial.
O que propomos é a utilização dos contos de fadas como recurso de amadurecimento, de descobertas, de auto-conhecimento e evolução dos sentidos. Dessa forma queremos evitar a concepção da literatura infantil apenas como livrinhos muito coloridos usados na distração e prazer das crianças, e que podem vir a trazer danos á criança. É possível que, se não trabalhado adequadamente e sem a atuação de um mediador competente, os efeitos apresentados pelos contos de fadas não sejam positivos. É responsabilidade das escolas, professores e pais impedir que isto ocorra e que os resultados obtidos sejam apenas os satisfatórios. Os contos de fadas tornam possível a exploração e a interiorização do mundo de forma crítica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas. Revista Criança. Brasília: n. 38, p. 10-13, ? . 2005.
VIEIRA, Isabel Maria de Carvalho. O papel dos contos de fadas na construção do imaginário infantil. Revista Criança. Brasília: n. 38, p. 8-9,. 2005.
COELHO, Nelly Novaes. Panorama histórico da literatura infantil/ juvenil. 3 ed. São Paulo: Quiron, 1985. P. 18-19.

A FUNÇÃO SOCIAL DA LEITURA

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
DISCIPLINA: TEXTO E DISCURSO

ENSAIO CIENTÍFICO

A função social da leitura

Débora Braga Prado
Aluna do 4º período de Letras


A leitura é o ato ou efeito de ler. É um testemunho oral da palavra escrita de diversos idiomas, uma atividade básica na formação cultural da pessoa e um benefício à saúde mental. Através da leitura, o ser humano não só adquire o conhecimento, como também pode transformá-lo em um processo de aperfeiçoamento sucessivo.
O não acesso ao livro e a leitura a todas as classes sociais é uma imperfeição no processo de socialização do indivíduo, pois a possibilidade de interpretar o código escrito e de saborear a beleza das palavras é indispensável a dignidade humana em uma sociedade que favorece a escritura e se afasta da oralidade, sendo incontestável que a leitura do texto escrito constitui uma das conquistas da humanidade.
Segundo Silva (1985, p.22 – 23), “a leitura, se levada a efeito, crítica e reflexivamente, manifesta – se como um trabalho de combate a alienação (não – racionalidade), capaz de facilitar ao gênero humano a realização de sua plenitude (liberdade)”. Nesta perspectiva, a leitura caracteriza – se como uma atividade de conscientização e questionamento, sendo que a função social da leitura é facilitar ao homem a compreensão e assim emancipar – se dos dogmas que a sociedade lhe impõe, pois, isso é impossível pela reflexão critica e pelo questionamento proporcionado pela leitura. A sociedade para buscar a formação de um novo homem terá de se concentrar na infância para atingir seus objetivos.
Mesmo sendo mal compartilhada, admite–se que a leitura é um direito de todos. O analfabeto não sabe ler e nem escrever, o que o torna um iletrado funcional impossibilitado de ler e escrever o mínimo necessário à vida profissional, a socialização leitora.
Perrotti (1990, p.75) alerta sobre a urgência de apresentar a leitura como “atividade nobre e reconhecida pelo e no grupo social” para conferir à infância identidade sócio-cultural.
Letramento é o resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e de escrita. É o estado ou a condição que adquire um grupo social, ou um indivíduo, como conseqüência de ter se apropriado da escrita e de suas práticas sociais. Apropriar se da escrita entorná-la própria, ou seja, assumi-la como propriedade. Um indivíduo alfabetizado, não é necessariamente um indivíduo letrado, pois ser letrado implica em usar socialmente a leitura e a escritura e responder às demandas sociais de leitura e de escrita.
O papel da escola também é promover a função social da leitura. “O processo de aprendizagem na alfabetização de adultos está envolvida na prática de ler, de interpretar o que lêem, de escrever, de contar, de aumentar os conhecimentos que já têm e de conhecer o que ainda não conhecem, para melhor interpretar o que acontece na nossa realidade” (FREIRE, p. 48).
Contudo, a função social da leitura é possibilitar ao homem sua liberdade e sua formação e reflexão critica. E, através da cultura popular, o que se quer é a afetiva participação do povo como sujeito na construção do país. Quanto mais consciente o povo faça sua história, mais o povo perceberá, com lucidez, as dificuldades que têm a enfrentar, no domínio econômico, social e cultural, no processo permanente de sua libertação. Ler, então, é um processo de socialização do individuo reconhecida pelo e no grupo social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Freire, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22 ed. São Paulo: Cortez, 1988.
PERROTTI, Edmir. Confinamento cultural, infância e leitura. São Paulo: Smmus, 1990.
SILVA, Ezequiel Theodoro. Leitura na escola e na biblioteca. Campinas: Papirus, 1985

COMO OS PROFESSORES ANALISAM A OBRA "O CORTIÇO"

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS
DISCIPLINA: PRODUÇÃO DE TEXTO


ENSAIO CIENTÍFICO

COMO OS PROFESSORES ANALISAM A OBRA “O CORTIÇO”

Regina Madeira de Siqueira
4° período – Letras /UVA

A obra “O cortiço” do autor Aluizio de Azevedo, quando adotada nas escolas, integra ao currículo, não como uma disciplina, mas como parte integrante da nossa literatura, inclusive multidisciplinar.
Por se tratar de um livro que baseia em heróis coletivos, mostra as condições de vida dos diferentes extratos sociais da pirâmide capitalista na cidade do Rio de Janeiro, em crescimento. Como podemos observar quando o autor nos narra: “É naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração que parecia brotar espontânea, ali mesma, daquele lameiro, e multiplicar- se como larvar no esterco.” Os livros didáticos adotados pela instituição de ensino freqüentemente seguem uma linha de ensino que baseia em trabalhar inicialmente com a leitura de um fragmento da obra, na qual, aborda comentários referentes o enredo acima mencionado, analisando o momento histórico, explorando a biografia do autor.
Eles utilizam como metodologia de ensino recursos que, muitas vezes, não vêm a buscar, em seus alunos, a motivação necessária para obter o aprendizado desejado, por suas aulas serem apenas desenvolvida através da leitura e resolução de atividades contidas no livro didático.
É necessário desenvolver atividades que levem os discentes a uma reflexão do mundo que o cerca, partindo da obra como “O cortiço”, utilizando recursos para que o professor busque a melhor forma empregá – los na disciplina (Literatura) realizando assim a imprescindível interação entre a leitura com o mundo em sua volta.
Muito tem sido escrito sobre a importância de desenvolver – se aulas menos mecanizadas, mas o que podemos observar é que há poucos que adotam este tipo de metodologia de ensino diversificado. A nossa proposta parte da avaliação das metodologias adotadas pelo professor para que haja um conhecimento do conteúdo abordado, utilizando como material de pesquisa o livro “O cortiço” em que analisaremos o contexto de mudanças e evoluções ocorridas na sociedade que beneficiam o desenvolvimento da aplicação do enredo. A escola não pode deixar de incorporar as novas transformações intervindas para sistematizara interação de todos os recursos pedagógicos e utilizando que melhor tem a oferecer. Recursos estes como a interação, o leitor, a obra, o contexto, o estilo e as condições de leitura.
Muitos acreditam que o ensino baseado em uma metodologia diversificada (apresentações, filmes, etc.) venha a favorecer um melhor aprendizado o que não vem sendo alcançado pelo sistema de ensino como nos mostra dados do IDEBE (Índice de Desenvolvimento Básico da Educação). Conforme Libâneo (1994, p. 165) “Cada disciplina exige também seu material específico como ilustrações e gravuras, filmes discos e fitas, livros, enciclopédias, dicionários, revistas, álbum seriado, cartazes e gráficos. Alguns autores classificam ainda, como meios de ensino, manuais e livros didáticos; rádio, cinema, televisão; recursos naturais (objetos e fenômenos da natureza); recursos da localidade (biblioteca, museu, indústria); excursões escolares; modelos de objetos e situações (amostras, aquário, dramatizações”.
As chances de mudar apenas por possuir livros didáticos bem estruturados nas escolas é quase nula. O que está em foco, e precisa ser entendido, é como os educandos aplicam suas metodologias em sala de aula. Em um bom número de escolas, o aprendizado das disciplinas como português, matemática ou de qualquer outro componente curricular é considerado primordial, ficando esquecidas as obras de escritores renomados como Aluízio de Azevedo, Rachel de Queiroz, dentre outros, por possuírem uma linguagem elevada e de difícil compreender por parte da maioria dos discentes e a falta de tempo para proporcionar um estudo aprofundado dessas obras. O marketing realizado em torno do ensino, utilizando métodos que venham a ativar as forças mentais dos alunos para assimilação do conteúdo de língua portuguesa, e para isso é necessário o apoio de material, que não seja só o giz, o quadro – negro ou exercícios considerados mecanizados.
As obras literárias, computadores ou qualquer outro material didático que usamos, são apenas e não tão somente um meio para que haja um aprendizado de qualidade. Libâneo (1994, p.160) explica que: “Os meios de ensino são considerados em estreita relação com os métodos de aprendizagem. Os métodos de ensino resultam seu critério de classificação da relação existente entre ensino e aprendizagem, concretizada pelas atividades do professor e alunos no processo de ensino”. Estas obras não podem ser apenas um meio utilizado como passatempo, mas um componente curricular que venha a contribuir para o desenvolvimento crítico de seus alunos.
Quando utilizado desta maneira nos estabelecimentos de ensino, ou seja, a obra literária a serviço de um projeto educacional, propicia condições aos alunos de um melhor entendimento do mundo a sua volta. Em decorrência dessas situações, exigimos que os educadores passassem por treinamentos periódicos para dominar com segurança esses métodos auxiliares de ensino, levando os professores a conhecer e aprendera utilizá – los como recursos didáticos.
Assim sendo, nossa preocupação fundamental é com o desenvolvimento de valores, utilizando como material de apoio as obras literárias, tendo como concepção que a educação é elemento formador de indivíduos capazes de modificar o mundo a sua volta. Cabendo ao professor a responsabilidade de intregrá – lo a suas aulas de forma diversificada e criativa. A nossa proposta para o uso destas obras encontra – se na necessidade de formarmos leitores de consciência crítica social. As escolas não podem deixar de incorporar este meio, intervindo para sistematizar a integração de todos os recursos pedagógicos utilizando o que tem de melhor a oferecer.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Rio de Janeiro: Ed. Tenoprint Ltd, (s.d).
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa LIBÂNEO, J. C. Didática .São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura), (s.d);

A INCORPORAÇÃO DE VALORES MORAIS EM BRÁS CUBAS (UM HOMEM QUE NADA REALIZOU):BOEMIA.

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS
PRODUÇÃO DE TEXTO

ENSAIO CIENTÍFICO

A INCORPORAÇÃO DE VALORES MORAIS EM BRÁS CUBAS (UM HOMEM QUE NADA REALIZOU): BOEMIA.

Equésia Teixeira de Lima
Aluna do curso de Letras da UVA

O termo boemia traz consigo, de imediato, a idéia de dissolução, de irresponsabilidade, de vícios, de noites de embriaguez e, por conseqüência, dias de ócio, para curar a ressaca. Durante muito tempo, essa expressão foi utilizada para falar de indivíduos que não eram, digamos, “muito responsáveis”. Pessoas sem regra ou disciplina, incapazes de parar em qualquer emprego ou de constituir e sustentar uma família. Brás Cubas incorporou essa maneira de viver, assimilou esses valores.
“Memórias Póstumas de Brás Cubas” é o primeiro romance realista, iniciando a segunda fase, a da maturidade, de Machado de Assis. Relata a história de um homem rico, Brás Cubas, de uma duvidosa descendência nobre, um tanto forjada pelos ascendentes que passa pelo mundo de maneira superficial, despreocupada e egoísta.
Muitos fatores contribuíram para que Brás Cubas tivesse uma vida boêmia: Nasce rico e é mimado pelo pai, tem uma mãe que não parece muito forte, um tio (João) que aparece como um devasso e outros parentes que, de uma ou outra maneira, influenciam na formação moral do menino terrível que ele foi.
Podemos ver no Trecho seguinte um exemplo de como ele era mimado pelo pai: “Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha educação, que se tinha alguma coisa boa, era no geral viciosa, incompleta, e, em partes, negativa. Meu tio cônego fazia às vezes alguns reparos ao irmão; dizia-lhe que ele me dava muita liberdade do que ensino, e mais afeição do que emenda; mas meu pai respondia que aplicava na minha educação um sistema inteiramente superior ao sistema usado; e por esse modo, sem confundir o irmão, iludia-se a si próprio” (ASSIS, 2007, p.36).
Brás Cubas, classificado pelas críticas como o grande hipócrita da Literatura Brasileira, é um sujeito sem motivos e muito contraditório, sempre rondando a periferia do poder. Típico burguês da segunda metade do século XIX, encarna o homem que passou a vida sem conquistar nenhuma realização efetiva. Se na infância o personagem foi uma criança abastada e protegida, torna-se um jovem adulto leviano, em busca da melhor maneira de tirar vantagem. Sua conduta fica explícita quando descreve sua formação universitária na Europa: “Não digo que a universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim – embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e política para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história a jurisprudência. Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação(...)” (ASSIS, 2007).
Brás Cubas chega a deputado, perde a chance de ser ministro e passa para a oposição. Pouco a pouco vê parentes, amigos e conhecidos enlouquecer, morrer, desaparecer. No final da vida quer inventar um emplastro, que aliviaria a melancólica humanidade, curando todos seus males. É a primeira e ultima tentativa de deixar sua marca no mundo, de redimir-se de uma vida vazia e sem propósito. “O que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas de remédio, estas três palavras: Emplastro Brás Cubas” (ASSIS, 2007, p. 19). Mas ele não alcança seu objetivo, morrendo aos sessenta e quatro anos, depois de rever sua antiga amante, sozinho, sem deixar filhos e sem encontrar seu lugar no mundo.
Esta obra nos passa a lição de que um jovem bem nascido, com um pai rico, pode facilmente ser levado a condutas levianas de dissipação de dinheiro familiar, e criar uma série de comportamentos impulsivos, próprios da juventude, que o conduzem a conduta pessoal e social de dissipação dos recursos paternos, comprando com os mesmos favores carnais de uma mulher que se entrega fácil de maneira pulsional, aos amantes que lhe proporcionem a posse de jóias e de uma vida fácil.
Assistimos um espetáculo de puro egoísmo. Brás cubas é um ser humano egoísta, que usa sua inteligência para alcançar seus objetivos vazios e mudanos. Em vários momentos somos surpreendidos pela sua ação egoísta, e despreocupada com o sofrimento humano. Quando encontra seu amigo Quincas Borba, que estava mendigando na rua, escolhe a nota de menor valor e mais suja. Corrompe, conscientemente, Dona Plácida, dando-lhe o dinheiro que encontrou na rua, e sem remorsos, escondeu até achar um fim para as notas, cinicamente duvida dos sentimentos de Virgília, principalmente quando ela chora a morte do marido.
A morte o surpreende quando tentava inventar o emplastro, algo maravilhoso, que o deixaria famoso e mais rico. Algo que justificaria sua passagem pela Terra. Ele encerra seu relato de maneira melancólica: “Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sombra, e consequentemente que sai quite com a vida. E imaginaria mal; porque ao chegar a esse outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas. Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria” (ASSIS, 2007, p. 194).
Termina assim a história, encerrasse assim o romance. Resta uma sensação de desalento perante um homem que, ainda depois da morte, ou talvez por isso, não encontra na humanidade motivos para acreditar na vida. A vida de Brás Cubas teve o falso brilho que a riqueza pode dar, mas foi inútil desde o ponto de vista humano. Passou como um meteriorito, brilhando por um instante e perdendo-se no espaço infinito. Não deixou marcas, não semeou, todas as possibilidades que nasceram com ele, morreram e foram enterradas no mesmo caixão que viu seus ossos apodrecerem.
Ao usar a metalinguagem, Machado convida o leitor a refletir sobre a estrutura da obra e perceber dois níveis de leitura: a que revela diretamente o personagem e o que faz o objeto de crítica do autor.
Machado de Assis foi o mais ousado dos escritores brasileiros anteriores ao Modernismo (1922) na experimentação de novas formas de expressão. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, mostra sua desconfiança da articulação perfeita entre o texto e a realidade e procura adequar a forma ao conteúdo. A exemplo, para traduzir a frustração de Brás Cubas, quando não consegue se tornar ministro, a solução do autor foi deixar o capítulo 139 em branco. No capítulo seguinte, explica: “Há coisas que melhor se dizem calado; tal é a maneira do capítulo anterior” (ASSIS, 2007, p. 177). A vida de Brás Cubas movida pela boemia determina o falso brilho da riqueza, a inútil maneira de viver e desencadear outras atitudes como, por exemplo, personalidade estupidamente constituída de preceitos duvidosos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSIS, Machado. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo, Martin Claret, 2007.

PESQUISA EM LITERATURA. www.planetanews.com/news. Acesso em 18.09.2008.

A Linguagem na Educação em Busca da Autonomia no Aprendizado do aluno

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ - UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS
DISCIPLINA: PRODUÇÃO DE TEXTO

Ensaio Científico

A Linguagem na Educação em Busca da Autonomia no Aprendizado do Aluno

Karollyna Jorge Martins
4° Período de Letras da UVA

A linguagem é compreendida como um sistema de representação, isto é, é um dos meios pelos quais pensamentos, idéias e sentimentos, que são do sujeito, são representados em um a cultura. A linguagem é o meio pelo qual o aluno adquire sua autonomia comunicativa e deve resultar do processo de ensino-aprendizagem. A funcionalidade da linguagem nem sempre tem levado o aluno a adquirir autonomia comunicativa no processo de ensino-aprendizagem na busca de uma educação funcional.
Na maioria das vezes é através da linguagem que o aluno adquire o senso crítico e reflexivo para mudanças na educação e na sociedade, compreendendo assim, educação num sentido amplo, dentro e fora da escola. O processo de ensino-aprendizagem deve ser o caminho para a aquisição dessa autonomia comunicativa.
Nesse sentido a linguagem é vista como o elemento de reflexão do indivíduo consigo, com o outro e com a sociedade. Segundo Scholze (2002, p.118) “essa capacidade de reflexão pela linguagem produz conhecimento e, com ele, produz poder”. Ou seja, a educação sempre foi e sempre será o instrumento mais poderoso, prático e seguro de se fazer democracia.
Se compreendermos a autonomia dentro de uma concepção pedagógica mais moderna, baseada na psicologia genética, podemos entender a educação como a vivência de experiências múltiplas e variadas, tendo em vista o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social do educando. Nessa abordagem, o aluno é um ser ativo e dinâmico, que participa da construção do seu próprio conhecimento.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 94) “a autonomia fala de uma relação emancipada, íntegra com as diferentes dimensões da vida, o que envolve aspectos intelectuais, morais, afetivos e sociopolíticos”. Ainda que na escola se destaque a autonomia na relação com o conhecimento, ela não ocorre sem o desenvolvimento da autonomia moral e emocional que envolve segurança e sensibilidade.
Entendemos então, que é por meio da linguagem que os alunos conseguem determinar o poder de pensar e conhecer a realidade, tornando-se assim, autônomos na sua própria aprendizagem. É através da educação que conseguiremos habitar esse mundo da linguagem, e permitir aos alunos o pensamento livre, dando-lhes as condições necessárias para o pensamento crítico. A linguagem na educação funcional por meio de experiências variadas, desenvolve a autonomia do aluno no processo ensino-aprendizagem.

Referências Bibliográficas
Scholze, Lia. Pela não-pedagogização da leitura e da escrita. São Paulo, 2007.
Parâmetros curriculares nacionais: Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais / Brasília. Secretaria de Educação Fundamental, 1997.